Dizem que os cancerianos envelhecem rápido, ou que já nascem velhos. Acho que isso explica muito a minha sedução por filmes adolescentes.
Mesmo quando eu era adolescente, ver aquelas coisas: meninas feias que ficam bonitas e arrasam no final, meninos que matam aula, meninas que trocam de lugar com a mãe, meninas que arrumam namorados errados, meninas revoltadas, meninas que são patricinhas, meninas que sofrem, meninas que são bruxas e até meninas que cantam, me encantavam e encantam até hoje, mesmo que nada daquilo fosse nem um pouco próximo da minha realidade. É tipo barrados no baile (aproveitando o revival), você assiste, acha uma merda, não tem a ver com a vida que você leva e ainda assim toda aquela lógica adolescente exerce um fascínio que até então eu achava inexplicável.
Até então, porque agora como psicóloga (cof!) a “adolescência” é meu objeto de estudo. É claro que isso já estava escrito nas estrelas né?! Os nossos objetos de estudo normalmente contam muito sobre quem a gente é e principalmente sobre as perguntas que a gente se faz. Mas então nessa busca de tentar entender o que forma um jovem eu comecei a ler um livrinho petit do Contardo Calligaris (que eu pegaria fácil!) que se chama “A adolescência”. Nesse livro ele diz que todos esses estigmas sobre os adolescentes são importantes para os adultos. “É difícil encontrar uma escolha adolescente que não seja a realização do sonho dos adultos” ele fala. Acreditar na rebeldia, na adolescência como essa idade mágica onde tudo é possível, só faz sentido na cabeça de quem não está vivendo essa fase. Quem vive sabe o quanto é sofrido e doloroso ser uma pessoa cheia de potencialidades sem poder exercê-las, pois afinal, esses mesmos adultos criam um monte de regras, um monte de receitas prontas de como um “bom” jovem deve se comportar. Mas na verdade o que todos esses filmes e exaltação à juventude mostram é que o adolescente que é realmente endeusado e idealizado é o jovem disrruptivo, rebelbe e que não segue as leis. Desse jeito torto o que os adultos realmente falam aos jovens é: desobedeça! só assim você será alguém que atingirá o patamar de adulto. Resumindo: Para obedecer aos adultos o jovem tem que desobedecer!
Eu ia começar a falar como o conceito de adolescência como fase, travessia, transição ou qualquer conceito evolucionista do gênero é tão equivocada e aprisiona mais ainda os jovens, mas to achando que esse post já tá ficando muito coisa da ciências humanas. Porque diz a cló que epistemologia, dialética são coisas sobre as quais só “esse povo da humanas” fala!
p.s. esse é um post irmão com o do perna, organizado em conversas virtuais nessa terça-feira onde eu tinha muito a fazer e fiz muito pouco. pelo menos eu escrevi aqui.

gente que sofre